Toda
a terapêutica chinesa baseia-se nos mesmos princípios do Taoísmo e do I
Ching, cujo conhecimento toma-se indispensável para que se compreendam
as regras da acupuntura, da fitoterapia e de outras tantas técnicas,
orientais ou não.
O Tao não pode ser definido, só podendo ser
compreendido através de percepção direta, pois está além do alcance do
racional. Tudo o que for escrito sobre ele não é o Tao verdadeiro, mas,
mesmo assim, torna-se necessária a tentativa frustrada de explicá-lo. O
termo apareceu primeiramente no Tao Te King (O Livro do Tao e Sua
Virtude), de Lao Tsé:"... o Tao é Todo em tudo. Princípio e fim de toda a
-existência, está em nós, assim como estamos nele... olhando, não é
visto: é nomeado o Invisível; escutando, não é ouvido: é nomeado o
Inaudível; tocando, não é sentido: é nomeado o Impalpável... pode-se
dizer que é Forma sem forma; Figura sem figura. É o Indeterminado. Indo
ao seu encontro, não se vê sua face; seguindo-o, não se vêem suas
costas. O Tao é eterno, não tem nome...
Por ser "Todo em tudo", o Tao
é indivisível e seu movimento é que nos ilude de que existem objetos
separados e distintos uns dos outros. Compreendendo o movimento do Tao,
os sábios distinguiram duas categorias básicas a que nomearam Yin e
Yang, movimentos opostos, mas que não existem um sem o outro e mais
ainda: um nasce do outro e vice-versa, em eterna mutação.
Originariamente,
o termo Yin designava o lado escuro da montanha e Yang, o lado
iluminado pelo sol. Conforme este se desloca, gradativamente, o lado
escuro se ilumina, e o claro enegrece, ou seja, Yang se transforma em
Yin e Yin em Yang, mostrando a relatividade dessas palavras.
Desse
modo, nada é só Yin ou só Yang, a não ser quando comparados entre si.
Por exemplo: o positivo é Yin e Yang. O negativo também é Yin e Yang;
entretanto, quando comparados entre si, podemos dizer que o positivo é
Yang, e o negativo é Yin, relativamente.
Observem o símbolo do
Tao: cada lado vai crescendo e quando atinge o seu auge, dá nascimento
ao seu oposto, o qual igualmente cresce e ao atingir o seu auge, também
dá nascimento ao seu contrário. Na Natureza, tudo obedece a esse ciclo.
Isso fica muito claro se observarmos o dia e a noite. A zero hora,
inicia-se o clarear, com o sol atingindo o pico às 12 horas, quando
começa a anoitecer, com a escuridão máxima às 24 horas, quando, então,
recomeça a clarear, e assim infinitamente. Ou seja, dia e noite, que na
visão ocidental são opostos, para o Taoísmo, além de não poderem existir
um sem o outro, ainda um se transforma no outro.
Masculino não
existe sem o feminino e um se transforma no outro e vice-versa, o bem
não existe sem o mal, um se transforma no outro e vice-versa. A Física
chegou à mesma conclusão. Energia e matéria, antes opostos
irreconciliáveis e distintos entre si, hoje são vistos como não
existentes isoladamente e em constante transformação uma na outra. O
mesmo se deu com a teoria que levou Niels Borh a ganhar o prêmio Nobel
da Física. Seu conceito de complementaridade considera a representação
tanto como partícula quanto como onda (dois "opostos"), duas descrições
complementares da mesma realidade, sendo cada uma delas parcialmente
correta e ambas necessárias para se obter uma descrição integral da
realidade atômica. Tanto ele sabia da verdadeira origem de sua teoria
que, ao escolher um brasão de armas para a sua família, adotou o símbolo
do Yin-Yang, com a inscrição: "Os Opostos São Complementares." Em suma,
tudo pode ser resumido aos movimentos do Tao: Yin e Yang. Entretanto,
essa simplificação quase que absoluta da realidade precisou ser mais
elaborada para facilitar o trato com a multiplicidade aparente das
coisas, surgindo, assim, variados "tipos" de Yin-Yang.
