Texto de autoria de Dani Hu - mestre de Shen She Chuan Kung Fu.
ZUO FAH
“O proceder”
Esses dois ideogramas traduzem um princípio muito importante dentro da arte chinesa do Kung fu, e o mesmo não se refere a nenhuma atitude técnica ou uma abordagem exterior do individuo, mas sim, o nosso posicionamento e atitude interior. Zuo (做) significa fazer, fazer-se ou agir, e fah (法) pode ser traduzido como método, maneira ou forma, o que nos leva a interpretação desse conjunto como “o proceder”.
Muitos praticantes se preocupam com o que está sendo ou com o que vai ser transmitido, e muitas vezes por isso, acabam por descuidarem-se do processo de assimilação. Quando isso ocorre, a tendência é que ele não saiba como proceder com o que já lhe foi transmitido, e como conseqüência, a sua base se fragmenta, e com isso ele perde a estrutura para absorver o que virá a ser transmitido.
Dessa forma, ele acaba por entender que precisa praticar mais horas para alcançar o seu desenvolvimento, o que de nada servirá, pois, o proceder está equivocado. Alguns entram num processo de frustração pelo o que não assimila, e fica cego diante do que já assimilou, e que certamente, com a abordagem e procedimentos adequados resultaria em frutos relevantes no seu desenvolvimento.
Muito mais do que serem mantidas, a suas bases devem ser aprimoradas, pois, somente assim, ela acompanhará o processo de sofisticação do sistema. Você não conseguirá vislumbrar o potencial da sua técnica sem que você entenda o processo evolutivo das suas bases, e por isso, o proceder se faz importante na abordagem, no processo, na disciplina, e na busca.
A pratica coletiva é muito produtiva quando é bem direcionada não apenas pelo seu Shi fu ou colegas, mas por si próprio em relação as suas duvidas e limitações, uma vez que, essa pratica quando displicente, gera danos muito difíceis de corrigir no futuro. A pratica solitária e o encontro da sua arte consigo mesmo, e ela deve ser feita com a mente, o coração e a visão desobstruídas, para que você possa contemplar o verdadeiramente assimilado e não o que você acha que assimilou ou o que você já deveria ter assimilado.
O proceder acontece no processo como um todo, no seu posicionamento diante da arte, e principalmente de você mesmo, pois, se o Kung fu foi criado pelo homem, ele não pode ser mais importante que o homem. É o que eu chamo de otimizar, e não é para aprender mais, ser mais hábil, ser mais técnico ou ser mais qualquer coisa… É simplesmente evoluir!
Tecnicamente falando, existem aqueles que menosprezam as suas bases, e comprometem todo seu tempo para aprimorar uma técnica, e tomam isso por desenvolvimento. Ele irá perceber esse equivoco quando aplicarem essa técnica nele, que sem base não terá recursos para se defender dela.
Zuo fah é a otimização e a sinceridade consigo e com a arte, que eleva o praticante a um patamar acima da busca… O encontro.
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